Forever Young: vale a pena assistir ao musical?
Comédia musical mistura rock, humor e emoção ao imaginar artistas quase centenários que se recusam a deixar a juventude para trás
Da Redação, publicado em 13/08/2026 e atualizado hoje.O que aconteceria se um grupo de artistas chegasse aos 90 anos, fosse colocado em um retiro e, mesmo diante das limitações impostas pela idade, continuasse querendo cantar, dançar, se divertir e viver intensamente? Essa é a premissa de Forever Young, comédia musical que chega ao Teatro Colinas, em São José dos Campos, no dia 29 de agosto (sábado), em uma montagem que comemora dez anos de trajetória no Brasil. A programação do teatro confirma o espetáculo na agenda da casa.
Criado pelo dramaturgo suíço Erik Gedeon, o espetáculo ganhou uma versão brasileira dirigida por Jarbas Homem de Mello, com supervisão artística, tradução e adaptação de Henrique Benjamin e direção musical de Miguel Briamonte.
E se você está pensando se vale a pena comprar o ingresso, a resposta é: sim, especialmente para quem gosta de música, comédia e histórias que conseguem falar sobre envelhecimento sem transformar a velhice em sinônimo de tristeza.
Do retiro para o palco do rock
A história coloca seis artistas quase centenários vivendo em um antigo teatro transformado em retiro. Eles estão sob os cuidados de uma enfermeira, que tenta manter a rotina e controlar os moradores. Mas existe uma diferença entre aquilo que eles mostram quando estão sendo observados e quem realmente são.
Vídeo com convite para a peça.
Quando a enfermeira deixa o ambiente, os personagens deixam de lado a postura comportada e revelam personalidades muito mais irreverentes. O palco se transforma em um espaço de música, humor e rock'n'roll. É nesse momento que a peça encontra sua principal força: a idade dos personagens contrasta com a energia que eles ainda carregam.
A produção não trata os personagens como pessoas que simplesmente precisam ser cuidadas. Eles continuam tendo desejos, sonhos, opiniões, paixões e vontade de aproveitar a vida.
A música é uma das protagonistas
Quem gosta de rock e pop tem um motivo a mais para assistir. O musical utiliza grandes sucessos internacionais que atravessam diferentes décadas, passando pelos anos 1950, 1960, 1970, 1980 e 1990. Entre as músicas estão 'I Love Rock and Roll', 'Smells Like Teen Spirit', 'I Will Survive', 'I Got You Babe', 'Roxanne', 'Rehab', 'Satisfaction', 'Sweet Dreams', 'Music', 'California Dreamin'', 'Let It Be', 'Imagine' e 'Forever Young'.
O repertório funciona quase como uma viagem musical no tempo.
A escolha das canções também ajuda a estabelecer uma relação entre passado e presente. São músicas que fizeram parte da juventude de diferentes gerações e que, dentro da história, continuam tendo significado décadas depois. O espetáculo já foi descrito por críticos como uma produção que usa clássicos do rock e do pop para criar uma ponte entre a juventude e a velhice.
A peça é só uma comédia?
Não. E talvez esse seja um dos motivos que explicam sua longevidade. Por trás das situações engraçadas, Forever Young fala sobre envelhecimento, liberdade, memória, exclusão social e a maneira como a sociedade enxerga as pessoas mais velhas.
Uma crítica publicada pelo jornal A Tarde, por exemplo, destacou justamente a reflexão sobre a exclusão social na terceira idade como um dos elementos centrais do espetáculo.
O que a peça quer dizer?
Talvez a principal mensagem de Forever Young esteja justamente no título. Ser jovem não é necessariamente uma questão de idade. Os personagens podem ter articulações mais rígidas, dificuldades físicas e quase um século de vida. Mas continuam carregando desejos, lembranças e uma enorme vontade de viver. A peça propõe uma reflexão sobre o envelhecimento sem transformar os personagens em vítimas.
Uma peça que já atravessou gerações
Forever Young estreou no Brasil em 2016 e chegou a ser vista por mais de 500 mil espectadores, segundo informações divulgadas pela produção e por plataformas especializadas em teatro. O espetáculo também recebeu indicações a importantes premiações do teatro musical brasileiro. Dez anos depois, a montagem continua encontrando público.
A montagem que chega a São José dos Campos reúne Carmo Dalla Vecchia, Vanessa Gerbelli, Janaina Bianchi e Guilherme Uzeda, conhecido pelo personagem A Tia, além de Miguel Briamonte ao piano e na direção musical. A direção geral é de Jarbas Homem de Mello, nome conhecido do teatro musical brasileiro.
Forever Young