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Gianecchini destaca peça sobre amor e liberdade

Peça sobre amor, preconceito e liberdade chega a São José dos Campos em setembro no Teatro Colinas; com Reynaldo Gianecchini

Da Redação, publicado em 26/08/2026 e atualizado hoje.

Enquanto uma multidão toma as ruas de Roma para acompanhar um dos momentos políticos mais simbólicos do fascismo, duas pessoas ficam para trás. De um lado, uma dona de casa solitária, mãe de seis filhos, presa a uma rotina marcada pelo machismo e pela infelicidade no casamento. Do outro, um homem que acaba de perder o emprego por ser homossexual e vive sob a ameaça de perseguição.

É a partir desse encontro improvável que nasce “Um Dia Muito Especial”, peça que chega a São José dos Campos nos dias 25, 26 e 27 de setembro, no Teatro Colinas. As apresentações acontecem sexta e sábado, às 20h, e domingo, às 19h. Reynaldo Gianecchini é o protagonista do espetáculo. Ao lado de Maria Casadevall.

A montagem mistura drama e sensibilidade para contar uma história de amor, amizade, transformação e aceitação em meio a um cenário marcado pela intolerância.

A história se passa em 6 de maio de 1938, data da visita de Adolf Hitler à Itália e do encontro político com Benito Mussolini. Enquanto boa parte da população participa de uma grande parada, Antonietta permanece em casa. Impedida de acompanhar a família, ela fica responsável pelos afazeres domésticos. É então que seu pássaro de estimação voa até a janela do vizinho.

Do outro lado está Gabriele, um locutor de rádio recém-demitido por ser gay e que vive a iminência de ser preso. Ao contrário da multidão que ocupa as ruas, ele também não participa da celebração. O encontro entre os dois dá início a conversas sobre sonhos, frustrações, desejos e tudo aquilo que cada um, por diferentes motivos, foi obrigado a esconder. Aos poucos, nasce uma amizade extraordinária e um amor platônico capaz de mudar a vida dos personagens.

Em entrevista ao SBT News, Gianecchini disse que, para ele, a peça vai além de um retrato histórico do fascismo. O que mais o toca é a possibilidade de duas pessoas completamente diferentes pararem para se ouvir e se transformarem sem julgamento.

'Os personagens encontram no diálogo um espaço de transformação (...) A peça fala sobre humanidade em um mundo polarizado', detalhou o ator.

Duas pessoas diferentes, dores parecidas

Um dos pontos mais fortes da peça está justamente no contraste entre os protagonistas. Antonietta e Gabriele vivem realidades muito diferentes. Ela é uma mulher sufocada pelas expectativas impostas à sua condição de esposa e mãe. Ele é perseguido por sua orientação sexual em uma sociedade que transforma a diferença em motivo de exclusão. Ainda assim, os dois encontram algo em comum. A sensação de não pertencer completamente ao mundo que existe ao redor.

Amor, preconceito e o papel da mulher

A montagem aborda temas que continuam presentes no debate social, como preconceito, aceitação, liberdade, machismo e o papel da mulher na sociedade. A própria história mostra como diferentes formas de opressão podem afetar pessoas que, à primeira vista, não teriam nada em comum.

De acordo com a sinopse divulgada pela produção, a peça convida o público a refletir sobre aquilo que aproxima e afasta as pessoas, mesmo em meio às diferenças e limitações de cada personagem. O resultado é uma história íntima, mas inserida em um contexto histórico grandioso. A guerra ainda estava por vir. O autoritarismo ganhava força. E, dentro de uma casa, dois personagens tentavam entender quem eram em um mundo que parecia ter decidido quem eles deveriam ser.

Classificada como comédia dramática, a montagem tem duração de 75 minutos e classificação indicativa de 14 anos.

Os ingressos custam R$ 180, com meia-entrada a R$ 90, conforme informações divulgadas pelo Teatro Colinas. A apresentação integra a programação cultural de setembro em São José dos Campos.

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