Brasil 70 A Saga do Tri: Homenagem digna ou não?
O que diz a crítica sobre a série da Netflix que retrata o tricampeonato da Copa do Mundo conquistado pelo Brasil em 1970
Da Redação, publicado em 01/06/2026 e atualizado hoje.A série 'Brasil 70: A Saga do Tri', da Netflix, colocou novamente em debate um dos momentos mais marcantes da história do futebol brasileiro. Em clima de Copa do Mundo, a minissérie recria os bastidores da campanha da Seleção na Copa de 1970, no México, e transforma em drama televisivo a trajetória do time considerado por muitos como o maior de todos os tempos. Foi uma homenagem digna? Ou foi um fiasco? OsPaparazzi ouviu os principais críticos para destacar aqui.
Quem procura um documentário tradicional pode se frustrar. A própria Netflix deixa claro que se trata de uma minissérie de ficção baseada em fatos reais, usando atores para interpretar figuras históricas e recriando diálogos e bastidores que não possuem registros completos.
Quem é quem em Brasil 70 A Saga do Tri
O elenco reúne nomes conhecidos do cinema, da TV e do streaming brasileiro. Entre os destaques estão: Rodrigo Santoro como João Saldanha; Bruno Mazzeo como Zagallo; Lucas Agrícola como Pelé e Marcelo Adnet como narrador e jornalista esportivo.
A direção geral é assinada por Paulo Morelli e Pedro Morelli, com episódios também dirigidos por Quico Meirelles. A criação é de Naná Xavier e Rafael Dornellas. A produção é uma parceria entre a Netflix e a O2 Filmes. Paulo Morelli foi um dos fundadores da O2 Filmes, produtora criada ao lado de Fernando Meirelles e Andrea Barata Ribeiro. Ao longo da carreira, dirigiu produções como Cidade dos Homens, Viva Voz, O Preço da Paz e Malasartes e o Duelo com a Morte. Já Pedro Morelli representa uma geração mais ligada às séries e ao streaming. Ele ganhou destaque dirigindo projetos como Irmandade, DNA do Crime, Raul Seixas: Eu Sou e Rua Augusta.
Os dois já haviam trabalhado juntos anteriormente no drama Entre Nós, elogiado pela crítica e premiado por seu roteiro.
O que mais divide os críticos? Homenagem digna?
O principal ponto de discussão está justamente no equilíbrio entre realidade e ficção. A série retrata acontecimentos históricos, mas cria situações dramatizadas para desenvolver personagens e conflitos. Segundo os diretores, diversas cenas foram inventadas, mas buscando respeitar os fatos conhecidos da época. Para alguns críticos, essa liberdade criativa ajuda a humanizar os jogadores e tornar a narrativa mais acessível para quem não viveu a Copa de 1970.
Já os espectadores mais ligados à história da Seleção argumentam que certos momentos parecem excessivamente novelescos, principalmente quando a trama tenta criar tensão fora dos gramados.
Um dos aspectos mais elogiados é a forma como a série aborda a relação entre o futebol e a ditadura militar. A produção mostra as pressões políticas sobre a Seleção, a saída de João Saldanha do comando técnico e a utilização da conquista esportiva como ferramenta de propaganda nacional.
O portal Omelete destacou que a série consegue transformar uma história já conhecida em algo envolvente ao explorar o imaginário em torno dos personagens históricos. Segundo a crítica publicada pelo site, a produção “ultrapassa as lendas em campo” para contar uma história sobre “a paixão pelo futebol e os símbolos nacionais”.
Já o Observatório do Cinema elogiou a abordagem mais ampla da narrativa. Para o portal, “o principal mérito da série” é entender que “o tricampeonato não foi apenas uma conquista esportiva”. A avaliação do CineBuzz também foi positiva.
Por outro lado, algumas críticas apontam problemas no excesso de dramatização.
O CinePOP observou que determinadas cenas tentam reforçar a paixão nacional pelo futebol de forma exagerada, afirmando que alguns momentos “contribuem pouco para o recorte proposto”. A Folha de S.Paulo destacou que a produção assume claramente a condição de ficção baseada em fatos reais.
No jornalismo esportivo, podemos destacar dois nomes importantes: André Rizek, jornalista considerado mais à esquerda na política, foi só elogios. Disse que se emocionou muito com a série. E que a energia o empurrou para a cobertura mais emotiva na Copa do Mundo de 2026. Por outro lado, Rica Perrone, mais à direita, não gostou nada da série. Com críticas duras ao projeto.
As atuações de Rodrigo Santoro, Bruno Mazzeo e Lucas Agrícola são impecáveis. Eles te levam para os anos 70 com a Seleção Brasileira. Mas ela não é 100% baseada em fatos reais. Então acaba incomodando por isso. A qualidade das cenas de futebol com a bola rolando impressiona. De primeira mesmo. Mas entendemos os críticos mais ferrenhos. Que não sentiram a emoção dos anos 70 na telinha.
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